Premiados em Poesia
 
 

que é que me aconteceu?
que é feito da criança lamacenta
que arrastava os dias no sossego do sonho?
que é feito da esperança que habitava
as horas más espalhando um halo vitamínico de coragem
inquebrantável e de vontade e de alento?
que é feito do vento fresco que soprava contra o calor
e das cabeças recostadas em sombras de quintais?
e que é feito do perfume dos finais
de tarde a descer pesadamente sobre
as nuvens de algodão como almofadas?
que é feito da voz que gritava e se impunha
e da raiva invencível com que pontapeava o mundo
do meu quarto? e que é feito afinal do futuro
que se desmoronou e dos frutos que amadureceram
podres no pomar? e dos cabelos dançando ao vento
em compassos livres de escalas e tonalidades
rodopiantes? que é feito da ilusão e da distância
tranquilizadora ao dia da solução final?
que é feito das chamas que aqueciam dantes e agora
queimam?

Schopoiévsky
João André Asseiceira Moita

 

 

o sol estende o silêncio da tarde
por sobre a felicidade como uma camada de relva
eu estendo-me no chão e estico o braço
sinto o calor da tua pele e a maciez do teu rosto
sei os pássaros que sobrevoam como soprados pela brisa
sei a aragem que me empurra a mão deslizante sobre o teu corpo
sei os aromas que inalo e sei as suas cores luminescentes
sei dos acenos de aprovação das árvores seculares
sei os sons que não ouço no silêncio da tarde
sei do teu sorriso a chamar-me pelo nome sem dizer as suas letras
sei que há coisas que acontecem e sei de coisas a acontecer
mas nada é tão grande como nós dois a entardecer

Schopoiévsky
João André Asseiceira Moita

 

Aquele lugar

Aquele lugar;
onde os olhos flutuam na água
e os pensamentos escorrem pelo rio…
nas margens:
crescem tranças feitas de lírios
e os malmequeres são rimas
de palavras em verso!
E o poema acontece;
num misto, de natureza e eu…
estendi os braços para o rio
e a folhagem era o verde crescente…
e os sons do vento, ecoam leves ao longo do espaço;
suave sinfonia,
que se perpetua em minha mente…
daquele lugar amigo,
que guardo para sempre.

Eco
Maria Lucinda Paciência Agostinho Moedas

 
Sonhos de Maré

Escrevo os meus sonhos na areia,
Na areia, bem à beira do mar
Para que as ondas os levem,
Para que as marés os espalhem,
E quando sem qualquer razão
Me sinta feliz, e no peito,
O bater mais forte do coração,
Saberei que algures, numa praia qualquer
Alguém encontrou um sonho errante
Deixado pela espuma duma onda gigante.
Pegou-lhe, e fez dele voz corrente
Que vai assim,
Como a mim,
Fazer sonhar muita gente.

Alívio
Paulo Jorge Raposo Cortimpau

 


Premiados menores de 12 anos


Adeus amigo estranho

Olá estranho,
Gostava de te ver,
Porque tinhas um capuz preto,
Estou curiosa por te conhecer.

Tu andas pela sombra,
Para que ninguém repare em ti,
Mas a sombra abre uma luz,
Uma luz dentro de si.

Misturado na multidão,
Disfarçado sempre a andar,
Nunca pensas com o coração,
Nunca pensas em parar para amar.

Adeus amigo estranho,
Nunca te vou conhecer,
Pois agora que te vais embora,
Já nunca mais te vou ver.

Maria Agripina
Francisca Machado Nunes Sassetti

 
 

A Poluição

 

Para o mundo podermos salvar
Temos mesmo de reciclar.

Reciclar é uma obrigação
Se queremos acabar com a destruição.

Temos de proteger a Natureza
Porque ela é a nossa riqueza.

Não podemos poluir o mar
Porque dele vamos precisar.

Temos de cuidar do meio ambiente
Se ele estiver poluído
É pior para toda a gente.

Há animais em vias de extinção
Tudo por causa da poluição.

Luka
Ana Filipa Pepino Vassalo

 


 

Premiados dos 12 ao 18 anos

 

Um Sol na Vida

Numa tela bem elaborada,
Vejo talvez uma alvorada,
Num olhar bem desperto,
Realça o céu aberto.

Uma pintura colorida,
Bela, com alma viva.
Uns traços sobrepostos
Uma forma de vida.

Simples folha de papel,
Leve, branca, indiferente,
Linhas simples ou complexas,
O destino de muita gente.

Pistaxo
João Pedro Pepino Vassalo

 
 

 

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