Premiados em Poesia
ENTARDECER |
Esta tarde; fiz um doce muito fino! Cheio de laços, corações E uma flor. Recordei os teus lábios A meu lado, naquela frase Que dizias: Meu amor! E a tarde foi correndo devagar Como o sol, nas cortinas da janela Sobre a mesa: saboroso era o repasto; -Á sobremesa era uma noite muito bela. E os lençóis que escolhi para nós dois, Foram bordados a miosótis e jasmins, Ao abri-los sobre a cama, irradiavam... Um perfume a rosmaninho e alecrim. Sobre a cómoda os retratos mais Queridos; -A velha jarra e os naperons de organdim, enquanto a noite se deitava na janela, punha-se o Sol também dentro de mim. E as nossas Primaveras já cansadas, Embaladas pelo doce anoitecer; Vinham as recordações passadas... Desses frutos que não chegamos a colher. ![]() |
| Soldatarde Maria Lucinda Moedas |
O AMOR |
O amor é um espaço Reservado Ás vezes aberto Ás vezes fechado É um sol enorme Enorme e brilhante Que gela ou aquece Conforme o instante É um tempo exacto Numa hora incerta É um muro branco Numa porta aberta É um mundo novo Que nunca morreu Sendo nós os dois És tu e sou eu.
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| Tuga Maria Teresa Barroso Malato Garrucho |
GLÁDIO VITORIOSO |
Consciente Do seu nada O Homem eleva Os olhos E anseia o infinito... Busca o almo Do espaço Em vão No azul sidério... Penetra o sigilo Esfíngico Dos orbes E regressa insatisfeito À“digna” insignificância... Orgulhoso e suspeito Este ser que nada alcança Procura com as mãos impuras - Instigadas inseguras ancoradas - Abarcar todo o Universo A reduzir a incógnita das coisas À razão... Mas audácia Que o impulsiona É um facho que arde vigilante Na névoa desconhecida É loucura... Mão firme que apaga Da hesitante rota O sabor amargo da derrota...! ![]() |
| Serrana Maria Luísa Mascarenhas Barreiras |
RIO TEJO |
Meu rio das manhãs douradas de Agosto Onde o sol se passeia devagar, Onde os salgueiros choram e gemem numa dança Onde se perdeu demoradamente o meu olhar. E de tarde saboreio lentamente O resto do dia, que em ti; finda! E a lua debruçada no poente, Prolongará; o calor da tua noite. Um pouco ainda... E os cabelos que penteias, ondulados Se estendem alongados na corrente; E os troncos enraízam acariciados Pela ternura das tuas areias quentes. Em teus nichos, há suspiros bem presentes, Dessas noites a dois tão festejadas; Reflectindo no teu corpo reluzente Silhuetas das almas apaixonadas. Meu rio onde o vento passa sem janelas Onde um pássaro fez ninho no salgueiral! Onde vão beber as tuas Campinas belas, Ex-libris do nosso Portugal.
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| Campina Maria Lucinda Moedas |
VAMOS SALVAR O MUNDO |
Se no mundo queremos viver, Limpo ele tem que estar. Sujo não pode ser; Assim não vamos aguentar. Limpemos o nosso mundo, Se nele queremos viver. Em paz e sem doenças, Para todos receber. É impossível haver vida, Se continuar a poluição. Por favor não sujem o mundo; Ele está nas nossas mãos. A poluição causa doenças, Ela tem de acabar. Por isso meus amigos; O mundo temos de limpar. Deitem o lixo no lixo, Não deitem o lixo no chão. Pois então estão a ajudar, A continuar a poluição!
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| Carla Sofia Ana Filipa Pepino Vassalo |
Vou tentar falar de amor Tentar! Porque tentar? Vou tentar escrever para o tentar perceber Eu já amei! Mas ninguém me amou Será amor? Ou apenas dor? Quem é amado gosta Quem não o conhece despreza. Quem não é amado sofre mas não esquece. Enquanto escrevo O amor desaparece E aparece o ódio Ódio pelo amor No meio de tanto ódio Existirá lugar para o amor? Existiria uma ilha do amor No meio do deserto do ódio? Tantos antes de mim Escreveram sobre ele. Muitos bem o descreveram Mas pouco o sentiam Valera a pena? O que vou conseguir Com esta cruzada Ser amado? Não me parece Mas já percebi Que é o amor o fogo que me endoidece. ![]() |
| Manuel Aleixo Rodolfo Colhe |
Restantes trabalhos apresentados a concurso