Poesia
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INQUIETAÇÃO

No silêncio denso
Do espaço sem limites
Nem dimensões
Ecoa uma dor pungente
Que se estende e alonga
Ansiando fundir-se
Numa mágoa maior...

Contém em si este momento
De íntima e rara comunhão;
O instante preciso de agora
Não o que antes se foi
Nem o que virá depois

Circulam na aragem morta
Débeis gemidos_murmúrios
Pressentidos da turba curvada
Em postura cobarde_
Que se projectam
Imensos e vários
Na mansidão calada...

Fremem apelos mudos
Na saudade do passado...

(A solidão não sou eu ainda...
... Quero chorar mais...!)


Cicatriz
Maria Luísa Mascarenhas Barreiros
 
 
DESEJO DE AMAR

Quando a noite cai,
Acorda em mim o desejo
Sinto a magia no ar, 
Sinto o amor a surgir...

Surge então a oportunidade,
A vontade e a necessidade, 
De voar pela noite dentro
Sem ter medo de cair...

Porque se a noite é escuridão,
Só vejo sol no meu coração,
Por isso vou voar, 
E esperar o sol raiar...

Sem pensar, quero sonhar,
Sem pensar, quero correr,
Sem pensar, quero amar,
Esta noite até ao amanhecer.

 

Estrela Azul
Goreti Meca

 

PURA IMAGINAÇÃO

Vejo fadas e bruxas
A falar e a voar,
Vejo príncipes, reis e anões
A sorrir e a cantar...

Penso se será possível,
É tudo imaginação,
Mas é tão mágico o que sinto,
Que não quero perder esta sensação...

As histórias falam e riem,
Os contos acalmam e choram,
Cada um tem um sentido
Mas todos elevam a memória...

Por isso minha gente,
Vamos lá contar histórias,
Faz bem a toda a gente,
E ajuda a procurar vitórias.

                                                         

Fada da Noite
Goreti Meca

 

DOCE MELODIA

Vem!
De manso de manso
Pla noite cerrada
Vem!
Rolando o teu sonho
Na minha balada
Vem!
Trazendo em teus braços
O calor e a vida
Vem!
Em teus lábios o ardor
De rubra chama fulgente
Vem!
Chorando chorando
Na noite abafada
Espero
Por ti meu amor
Sem ti sem ninguém
Minha alma cativa
É angústia e é dor
Sem ti meu amor
A vida é vazia
É triste também.

 

Maria do Tejo
Maria Luísa Mascarenhas Barreiros

 

SONHOS NAUFAGRADOS

Um dia passado
Uma noite a chegar
Um barco ancorado
Um farol a piscar.

O fim de uma viagem
Outro mar navegado
Apenas como uma miragem
Outro óasis negado.

Um oceano de amargura
Um arquipélago encantado
Uma noite muito escura
Com nevoeiro cerrado

Como uma brisa matinal
Chega o amor sonhado
Vislumbra-se o divinal
Como o céu estrelado.

Sonha-se uma vez mais
Transborda-se de felicidade
Atraca-se no cais,
Da mentira e da verdade.

Logo fica obscuro
O nosso mar transparente
Oh alma! Como é duro
Amar alguém que mente!

Mais uma noite passada
Outra aurora a chegar
Felicidade naufragada
Sem farol, não há navegar.

 

Maria Sandrigais
Cristina Maria dos Santos Rodrigues Pires
 
 
VAZIO

Sempre à procura
de um amor constante
de uma realidade menos dura
de uma paixão sufocante.

O vazio está presente
atravessado no teu caminho
na tua alma carente
de ternura e de carinho

Um coração destroçado
uma vida sem sentido
um olhar cansado
sem brilho e perdido.

Já o céu não é estrelado
nem a noite tem magia
um amor iluminado
é apenas em poesia.

Vazio como o universo
e não querendo acordar
tudo serve para um verso
e para continuar a sonhar.

 

Maria Sandrigais
Cristina Maria dos Santos Rodrigues Pires
 
 
AZUL

Salpicos de espuma ao vento,
pndas cortados pela ansiedade.
Há que aproveitar o bom tempo,
anuncia-se a tempestade.

Com corações descontentes,
para redes lançar.
Pescadores valentes, 
fazem-se ao bravo mar.

Ficam lágrimas desconsoladas,
em terra de pescador.
Esperanças naufragadas,
vida de incerteza e dor...

Oh mar salgado!
quantas almas já levaste...
Mil vezes atravessado
tantas tragédias causaste!

Abraça-te esse mar imenso
gaivotas sobre ti a pairar.
Mergulhas no azul intenso,
cai a noite, o farol a piscar.

Como um barco ancorado
clamando para navegar,
Assim vive o passado
teimando em não afundar.

Com penhascos a rodear-te
despertas para o amanhecer.
Com saudade vou chorar-te...
sentindo a alma envelhecer.

 

Maria Sandrigais
Cristina Maria dos Santos Rodrigues Pires
 
 
SENTIR A POESIA

Ela está cá, aqui, lá e ali.
Onde quisermos.
Posso senti-la, a ela,
Quando te olho e vejo,
Quando te sinto e quero,
Quando me olho e sinto.
Posso senti-la, a ela,
Na luta do rio no seu leito,
No caminho que teima em seguir,
Na vida que sustenta.
Posso senti-la, a ela,
Porque está comigo
Quando estou contigo.
E na vida eu prossigo.
E eu consigo
Vê-la nas mãos e nos rostos,
Nos sonhos e gostos.
E ela, surge suavemente,
Assim, dentro de mim.
Nasce sempre um Abril outonal,
Mergulhada em flores de Carnaval.
Mas tudo assim vale.
Vale homens, mulheres e crianças,
Todos os risos choros e crenças.
E a poesia é solta.
Despe-se e vem á rua,
Nua e crua.

 

Enche o céu e o mar,
Envolve a terra e o ar.
E posso senti-la, a ela.
A poesia!
Vem de ti para mim
E de mim para todos.
E a poesia enche os nossos corações,
Os corpos e as almas,
As mentes e os sonhos,
E a poesia envolve o Mundo.
E podemos senti-la.
Ela está cá, aqui, lá e ali
Os homens, resignados,
Juram Amor e Paz,
Abraçam a natureza,
E pulam e avançam,
E querem criar.
Porque podem senti-la, a ela.
A poesia que está no ar.

 

Marinela
Lília Lopes Oliveira
 
 
PALAVRINHAS E PALAVRÕES

Brinquei com as palavras dadas,
Palavras faladas, rasgadas, coladas,
Palavras e palavrinhas
Minhas, pois então!
Palavras e palavrões,
Saltaram aos empurrões,
Cheias de comichões,
Por cima dos colchões,
Dentro dos camiões,
Dos bolsos dos calções.
E tu, o que pões?
Palavras, palavrinhas e palavrões?
E impões?
O que sentes, o que queres?
Onde vais, ou se sais?
E que mais?
Brincar assim, não é concerteza, demais!

 

Marinela
Lília Lopes Oliveira
 
 
PENSAMENTOS

Páro,
Penso...
Julgo que estou sozinha 
Mas vejo em mim a companhia...
Puros pensamentos
Inundam o meu ser...
Não sei quem sou,
Nem tão pouco,
Sei o que quero...
Apenas sei que sou sonhadora
e por isso 
Quero voar, voar...

 

Pérola Negra
Goreti Meca
 
 
JOGO DE PALAVRAS

Poeta não sou...
Somos!
Somos todos ou
Nenhum...

Um
Escreve outro não...
Então,
Parir palavras não é fácil...
Mas sentir,
Sentimos todos!

Assim,
Vou deixar a pena
Sobre o papel
Pois tenho pena
D' amarrar o corcel
Da imaginação!

Imaginem a acção:
Ideias volteando
Na cabeça,
Qual corcel escouceando
Com pressa
Aguardando a libertação!

Na verdade, é uma pena
Qu'esta folha tão serena
Fique branca 
Sem razão.

Sim, abri a cancela
E deixei correr a pena
Ao sabor da mão.

Afinal,
P'ra mim
Valeu a pena
Esta pequena 
Ilusão!

 

Todosnós
José das Neves Filipe
 
 
BUSCA

Procuro na noite
O teu rosto
O teu olhar
Não encontro
Nem sei onde procurar
Vou vagueando
Sem saber para onde
Tudo é vazio sem ti
É um espaço em branco
De tudo o que vivi
Chega a madrugada
E tudo é igual
Não te vejo, não te encontro
Nesta noite sem final
Passou a noite, a madrugada
Começa o dia
E eu, continuo nesta busca
Intensa, desesperada
Onde há tudo e nada
Porque sem a tua presença
A vida não tem valor
E tudo o que resta
É a eterna palavra AMOR!

 

Tuga
Maria Teresa Barroso Malato Garrucho
 
 

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Última actualização: 16-12-2004