Lançamento do livro "Breve Relato de Uma Singularidade" de Jacinto do Vale

Dia 12 de setembro, pelas 17h00

Jacinto do Vale irá lançar o seu primeiro livro, "Breve Relato de Uma Singularidade", no próximo dia 12 de setembro.
Esta obra de ficção marca a sua estreia na escrita e o início de um percurso literário para o qual já se prevê, a breve prazo, o lançamento de novos títulos.
 
Segundo adianta o autor, a obra convida a uma viagem no tempo ao passado, onde a vila de Alpiarça será revisitada de forma inédita.
 
Será certamente uma boa conversa à volta deste "Breve Relato de Uma Singularidade".
 
Convidamo-lo a estar connosco!

 



Sinopse (na contracapa)
 
Quantos de nós ao longo da vida não pensaram, pelo menos uma vez que, se pudessem fazer uma viagem no tempo ao passado, mudariam qualquer coisa nessa época, numa tentativa de alteração, para melhor, a atualidade?
 
Por exemplo, se o salto temporal fosse até à década de vinte ou trinta do século passado na Alemanha, muitas pessoas afirmariam que a melhor coisa a fazer para evitar a tragédia que foi a 2ª Guerra Mundial, seria fazer desaparecer o Hitler da face da terra. Se isso pudesse acontecer ter-se-ia presente o real impacto que essa mudança traria no futuro, além da poupança de 70 milhões de vida? Salvar tantas vida deveria ser o melhor dos argumentos, não é? Mas a ausência desse conflito daria garantias da completa ausência de guerras, numa época tão tensa como foram os tempos de guerra fria? Numa situação mal resolvida na 1º Grande Guerra, como ficaria, assim o mundo?  Melhor ou pior? Como ficaria a Humanidade sem o salto tecnológico provocado pela ressaca do conflito? A exploração espacial, as comunicações globais, o desenvolvimento tecnológico e científico seriam os mesmos?
 
Então fica a incómoda questão: será que valeria a pena? A essa teríamos de juntar outra, não menos incómoda: teríamos nós o direito de o fazer, apesar da oportunidade? 
 

 

Jacinto do Vale

Natural do concelho de Alpiarça.

 
Aviso ao leitor
 
Chamo-me Jacinto do Vale e sou um aprendiz de escritor.
 
Normalmente os aprendizes querem-se novos de forma a confirmar a máxima que de pequenino se torce o pepino. Comigo, contudo, não aconteceu assim. Estou perigosamente próximo dos setenta, idade mais que suficiente para não me meter em aventuras, sobretudo nas desta arte de alinhar letras e esperar que daí saia alguma coisa com sentido. Sim, porque desse alinhar de letras tem, quem as lê, de as interpretar, de as sentir, de desvendar o seu integral e final segredo, de maneira a que nada do que foi inicialmente disposto contar ou relatar, fique escondido ou menos claro. 
 
Se alinhar letras, formar palavras, compor frases e completar textos já é por si uma tarefa ciclópica, qual não será então aquela outra que, com esse alinhamento de caracteres, transmite a pretendida mensagem, passando o sentimento de amor ou ódio ou raiva ou esperança ou alegria ou desalento ou paz ou a ausência dela ou da cor, cheiro, toque, enfim, um caleidoscópio de sensações e vivências, umas actuais outras passadas, umas reais, outras tão só, sonhadas.
 
Ora os aprendizes de qualquer arte são conhecidos pelos erros que cometem. É nessa tentativa constante que os mais persistentes e capazes almejarão algum dia alcançar ou quem sabe ultrapassar a sabedoria do seu mestre. Poucos aliarão essa persistência e essa capacidade ao engenho, indicador principal da genialidade, pouco importando que direção tomem, que campo desbravem. Talvez por isso eu não seja de fiar, talvez por não ter conseguido um mestre que me ature e engenho que me valha.
 
Assim, esse é um dos meus mais aflitivos problemas. Já não me resta assim tanto tempo para aprender. Sou um aprendiz já velho, logo muito mais difícil de torcer que os muito mais novos. Talvez, por isso, sinto que irremediavelmente vou lavrando em campo de pedras. Pouca substância, já para não dizer sustento, conseguirei extrair de tal sementeira.
 
Por tudo o que atrás escrevi compreenderá o leitor a razão deste meu aviso. Se depois de tão desencorajantes palavras ainda se quiser aventurar pelas centenas de páginas que se seguem, estará por sua conta e risco. Eu por mim sinto-me menos culpado porque, pelo menos, tentei dissuadi-lo. Mas se iniciar a leitura, por favor não pare a meio. Deixar a leitura de um livro interrompida é o mesmo que começar uma viagem e não chegar com ela ao fim. Mesmo que o livro seja de duvidosa valia, como o é o caso deste, deverá, ainda assim, ser percorrido até à última palavra.
 
Espero, por fim, ter conseguido desencorajá-lo. Mas, se ainda assim perseverar, então saiba desde já que o que vai encontrar são pessoas, com as suas vidas, problemas, medos, esperanças e alegrias, pouco importando o cenário ou a época onde vivem, em enredos reais, quotidianos.
 
Fiz deste livro um estado de alma. Se pudesse sugerir o momento da sua leitura proporia ao leitor/a que o faça num dia em que se sinta mais melancólico, quiçá num em que a chuva esteja presente também, enrosque-se a um canto, puxe por uma caneca de café e comece então. 
 
Quando chegar ao fim, pense no que faria, se o que acabou de ler acontecesse consigo…
 
Alpiarça, setembro de 2026
 
Visitas: 8