"Os Viajantes e o Urso"
DOIS amigos que iam de viagem, caminhando por uma estrada fora, começaram a notar que o caminho era perigoso, pela abundância de matos, infestados de animais selvagens.
- Temos de acautelar-nos - lembrou o mais velho - porque quando menos esperarmos surge-nos por aqui um leão ou uma pantera que nos devora.
- Somos dois - replicou o mais novo. - Podemos ajudar-nos um ao outro em caso de perigo.
Acabavam de proferir estas palavras, quando vêem aparecer um urso enorme, que caminhava para eles. O mais novo nem se lembrou da promessa que acabava de fazer, e sem querer saber do companheiro agarrou-se ao tronco de uma árvore e trepou rapidamente para ela. O outro, menos ágil, só teve tempo de deitar-se no chão e fingir-se morto, para ver se assim escapava à cobiça do urso. Quando sentiu o grande bicho ao pé dele, susteve a respiração e pôs o corpo todo como o de um morto, sem mexer um músculo!
O urso andou à roda dele, cheirou-o, mexeu-lhe, mas como não lhe viu sinal de vida, julgou que estava morto, e afastou-se no mesmo passo vagaroso e pesado com que viera, sem lhe fazer mal.
O que estava em cima da árvore observou toda a cena, e, quando viu o urso já longe, desceu e foi ter com o companheiro, que ainda estava deitado no chão, de olhos fechados e imóvel.
- Então? - perguntou o que vinha da árvore. - Que segredo esteve o urso a dizer-te ao ouvido?
- Um conselho que eu nunca mais esquecerei: Que de futuro não me fie em promessas de auxílio de covardões como tu. Os amigos só se conhecem bem nas horas de aflição.
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