"A lenda de D. Fuas Roupinho"
Em tempos antigos, muito javalis corriam pelas matas e florestas de Portugal. Comiam as colheitas para grande arrelia dos camponeses, mas eram muito apetecidos pelos fidalgos que corriam alegres para os caçar e com eles mandar fazer animados banquetes bem saborosos. Por montes e vales perseguiam os javalis, montados em seus belos cavalos e acompanhados por muitos cães que saltavam e ladravam atrás da desejada presa.
Assim costumava fazer o nobre e valente cavaleiro D. Fuas Roupinho que um dia escolheu terras perto da praia da Nazaré para realizar mais uma boa caçada. Um javali gordo e ágil parecia desafiá-lo para uma louca correria. E o cavaleiro animou o cavalo para que corresse cada vez mais depressa.
Mal sabia o jovem fidalgo que era o próprio Demónio que corria à sua frente e procurava a perdição do caçador levando-o para a beira de um precipício que poderia ser o local da sua morte.
Saltitante ia o Demónio, despreocupado ia o caçador.
No entusiasmo por uma caçada que lhe parecia vitoriosa, o jovem esporeava o cavalo que quase voava.
Mas mesmo adiante deles, abria-se o abismo deixando ver as águas enfurecidas da praia ameaçando engolir quem nelas caísse.
Foi então que, num relâmpago de lucidez, o caçador se apercebeu do perigo que corria. O Demónio, no seu disfarce de javali, saltou do alto rochedo. No mesmo momento, o jovem implorou a Nossa Senhora da Nazaré que o salvasse das garras do Demónio. E no mesmo instante, o cavalo ficou preso ao rochedo: as patas dianteiras suspensas no ar e as patas traseiras firmemente fixadas na rocha sobranceira ao abismo. Ainda no ar, o Demónio dava um estoiro.
Nossa Senhora da Nazaré tinha salvo o caçador. No rochedo, mesmo à beira, à beirinha do abismo, diz a lenda que estão dois buracos marcando o local onde as ferraduras do cavalo ficaram presas para salvar o jovem caçador que pedira a ajuda de Nossa Senhora da Nazaré.
- Outros contos neste site -