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Apresentação do livro "Poeira - O Sonho da Liberdade"

 
Em Poeira - O Sonho da Liberdade, de Victor Gomes, faz mútiplas referências a Alpiarça em que fica claro o papel das nossas gentes para o "sonho da liberdade". Um excerto:      
 
"...Eram famílias completas que trabalhavam de sol a sol nas terras das grandes casas agrícolas, sem outros direitos que não fossem trazer um mísero salário. Carlos distribuía entre os trabalhadores um sonho de liberdade, que todos sabiam ser dura de conquistar mas que estava nas suas mãos lutar por ela.
 
Naquele dia Carlos dirigiu-se ao Patacão onde tinha um encontro marcado com um pequeno grupo de Camaradas. Passou a ponte D. Luís, na Tapada subiu o tapadão e foi ladeando a maracha do Tejo até chegar à aldeia de pescadores do Patacão. Ali, perto do Tejo, uma meia dúzia de casas palafitas, abrigavam outras tantas famílias de Avieiros - pescadores do tejo - com raízes na praia de Vieira, agora também dedicados à agricultura nas searas de melão e tomate. Numa dessas casas, cujo proprietário era também membro do organismo, iria ser a reunião."
 

 

 Victor Gomes nasceu em 1956 no Casal do Paúl, Freguesia de Almoster no Concelho de Santarém. Filho de pessoas simples, do campo, não tinha fortuna pessoal que lhe propusesse outra vida que não fosse a agricultura. O seu percurso académico foi curto. Aos 10 anos de idade entrou no Liceu Nacional de Santarém mas a falta de transportes obrigou-o a viver num quarto alugado, o que se veio a revelar catastrófico para os estudos. A falta de apoio familiar levou a que ele, que obtivera mais de 19 valores no exame de admissão, viesse a reprovar no segundo ano do Liceu.
Aos 12 anos ingressou no comércio como marçano na Casa Gerardo onde ficou até aos 28 anos. 
 
Viveu intensamente, de forma autónoma, o período pré 25 de Abril e depois, com grande paixão, o chamado PREC. Foi sindicalista, militante revolucionário, cooperativista e sonhador!
 
Desde cedo se interessou pela leitura e pelas questões culturais. Abraçou o Radioamadorismo como um hobby cientifico onde adquiriu muito do conhecimento que lhe veio a ser importante na sua vida profissional. Aos 57 anos decidiu compilar, em forma de livro, umas estórias da sua  infância. Os amáveis comentários que recebeu dos leitores deram-lhe força para continuar a escrever e publicar este  segundo livro.
 
Neste segundo livro, Victor Gomes, fala-nos da sua adolescência, na Cidade de Santarém, dos locais e pessoas com quem conviveu, das lutas dos trabalhadores agrícolas do Ribatejo por melhores condições de vida, das organizações clandestinas que lutavam contra o regime. Os primeiros amores e desamores, as paixões da adolescência, o primeiro contacto com o Radioamadorismo e o desejo de conhecimento são aqui tratados sempre ligados por uma ficção que é a história principal.
 
 "Três semanas de cheia no Tejo provocavam uma onda de miséria entre aqueles que já eram os mais pobres. Os homens e mulheres do campo estavam há muito tempo sem trabalho, vivendo do pouco que tinham amealhado, sem dádivas ou apoios e sem poder apanhar na horta uma couve que fosse. Os pescadores do tejo, nas Caneiras ou no Patacão, isolados nas suas casas de madeira pregadas em cima de estacas, estavam também impedidos de procurar no tejo o seu sustento. Era a isto que o Estado novo chamava uma bênção de Deus, coisa que os mais pobres e mais crentes não conseguiam compreender."
 
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