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Debate/Exposição: Manuel da Fonseca - Uma Chicotada no Vento

 
 
 
 
 
 
 
Com era expectável, o  Prof. Dr. Vitor Viçoso lançou um olhar entusiástico sobre a vida e obra daquele que ele considera um dos maiores escritores neo-realistas portugueses. Profundo conhecedor das vivências do autor e do seu modo de estar na vida muito peculiar, mostrou-nos porque é que a sua obra, apesar de curta, tem um significado tão grande naquilo que é o papel do escritor no que se refere à intervenção social e politica.
 
Ao contrário de Alves Redol, seu contemporâneo e amigo, Manuel da Fonseca era pouco metódico no que se refere à construção da sua obra literária e um pouco errante no que toca à sua profissão, o que lhe trouxe sempre dificuldades no governo da vida. Foi focado também a razão do seu grande apego natural ao Alentejo e às suas gentes, retratadas de forma exemplar na sua obra, que acaba por ser um pouco autobiográfica.  
 
 
 
Manuel Lopes da Fonseca nasceu a 15 de outubro de 1911, em Santiago do Cacém. Em plena juventude, quando terminou o ensino básico, decidiu partir para a capital com o intuito de realizar estudos secundários, onde seguiu a área de Belas-Artes e apesar de não ter sobressaído nesta área, deixou alguns registos do seu traço, sobretudo, nos retratos que fazia de alguns dos seus companheiros de tertúlias lisboetas. Na sua vida profissional, para além da escrita, o autor desempenhou, também, atividades profissionais nos ramos do comércio, da indústria e do jornalismo. 
 
Foi membro do Partido Comunista Português e fez parte do grupo Novo Cancioneiro, considerado por muitos como um dos melhores escritores do neorrealismo português. Nos anos 60, foi presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.
Colaborou em várias publicações, de que se destacam as revistas "Afinidades", "Altitude", "Árvore", "Vértice", "O Pensamento", "Sol Nascente", "Seara Nova", os jornais "O Diabo" e "Diário" e fez parte do grupo do "Novo Cancioneiro".
 
As suas obras eram marcadas pela intervenção social e política, relatando como poucos a vida dura do Alentejo e dos alentejanos. Escreveu os volumes de poesia Planície (1941), Poemas Completos (1958), Poemas Dispersos (1958), os contos O Fogo e as Cinzas (1951), Um Anjo no Trapézio (1968), Tempo de Solidão (1973), Crónicas Algarvias (1986), e os romances Cerromaior (1943), e Seara de Vento (1958). Colaborou também no jornal "A Capital" em 1986, com as "Crónicas Algarvias". Preparou ainda a "Antologia de Fialho de Almeida" (1984). 
Manuel da Fonseca faleceu a 11 de março de 1993, em Lisboa. Em sua homenagem, a escola secundária de Santiago do Cacém, denomina-se Escola Secundária Manuel da Fonseca e a biblioteca municipal de Castro Verde, Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca. 
 
* Vítor Pena Viçoso é professor aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em Literatura Portuguesa (1989). Foi docente das disciplinas de Literatura Portuguesa e Cultura Portuguesa (séculos XIX e XX). Para além de ensaios sobre Raul Brandão, Carlos de Oliveira e José Saramago, publicou artigos em jornais e revistas, com particular incidência em temas e autores do Romantismo, do Simbolismo e do Neo-Realismo, movimentos privilegiados na sua investigação universitária. É actualmente director da revista Nova Síntese – Textos e Contextos do Neo-Realismo, da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo. 
 
 
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